domingo, 7 de outubro de 2012


E as coisas bonitas estão aonde não podemos prever. Aquilo que vem e acontece e pronto. Sem avisar. Quero mais surpresas, mais encontros inesperados, mais aleatoriedade nos acontecimentos. Mas assim... Bem lentamente, pra dar tempo de viver, sentir e registrar tudo, pra poder lembrar depois. De novo e de novo. Eu gosto assim, de acasos intensos... Mas um de cada vez.

domingo, 2 de setembro de 2012

O último sobre você



E eu acordei com a claridade da luz do sol entrando pela janela do carro. Olhei pra você e vi que estava todo torto para que eu coubesse no seu colo. Apesar do carro fechado e de nós estarmos muito perto, eu ainda estava com frio.

Ainda estávamos com a roupa e os cabelos molhados por causa da chuva que tomamos na noite anterior, mas confesso que isso não me incomodava tanto quanto aquele abismo que ainda existia entre a gente. Não físico, já que -finalmente- você estava ali ao meu lado, alias, o mais próximo que já estivemos durante todos esses meses.

Lembra o quanto planejamos isso? E todas as tentativas frustradas de você vir pra cá ou eu ir pra lá. Acabou que calhou de nos encontrarmos aqui, nesta cidade desconhecida. E agora estamos aqui, a sós, no banco traseiro deste carro, e por mais perto que isso seja, hoje, mais do que qualquer outro dia, somos dois desconhecidos. Na verdade, acho que sempre fomos estranhos que se convenceram de que, por algum motivo, eram amigos.

Fiquei ali te observando por muitos minutos, e por mais estranhos que fossemos naquele instante, aquela visão de você dormindo era-me tão familiar. Como se eu tivesse passado a vida inteira acordando com você ao meu lado, e da mesma forma, poderia passar mais uma vida acordando assim.

Muitas coisas passavam pela minha cabeça, principalmente cada passo que demos para chegar até ali. Voltei no tempo como numa regressão e tentei achar o momento, o passo errado que demos para que tudo desandasse dessa forma. Não encontrei resposta. Estou a procurá-la até hoje.

Você acordou assustado e me viu te olhando como se fosse um objeto de estudo. Reclamou das dores no corpo, já que havíamos passado algumas horas ali amontoados de forma improvisada. Me olhou por poucos instantes, e eu daria todas as moedas que eu tivesse na vida pelo seu pensamento ao me olhar, mas de tão breve e superficial que foi não deveria valer tanto.

Quando finalmente percebemos que estávamos sozinhos ali, naqueles poucos centímetros que medem a traseira de um sedan, o clima foi ficando cada vez mais tenso. Minhas expectativas e frustrações disputavam uma luta incessante dentro de mim, e a sua indiferença transbordava de forma que nós não cabíamos mais ali.

Você se espreguiçou e abriu a porta sem me dar nenhum tipo de explicação, satisfação ou bom dia. A indiferença escorreu porta afora e minhas frustrações se vangloriavam por terem vencido a disputa. Você saiu do carro. Foi quando finalmente me dei conta, que de uma forma ou de outra, precisaria sair também da minha vida.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Agora chega


Que merda é essa de deixar as pessoas influenciarem na sua vida dessa forma?! O que você é, um pedaço de papel em branco onde cada um vem e rabisca o que quer?! Um pedaço de tecido onde qualquer um pinta e borda depois larga num cantinho como uma arte inacabada?! Ou uma caixinha de natal, dessas que ficam nos balcões de padaria! Pois sim, você absorve cada sentimento que depositam aí nessa caixinha e as dimensiona em coisas mil vezes maiores do que são. Um "Oi" vira um "eu tô afim de você", um "Tudo bem?!" vira um "estou mega afim de você" e um "estou afim de você" vira um pedido de casamento. Isso não pode acontecer... Sejamos realistas! 


Além disso, nem podemos culpar aos outros... Salvo casos onde eles mentem, iludem, se aproveitam... o que alias, são maioria. Mas enfim, você torna as coisas grandiosas demais, por isso acaba sofrendo de acordo com o que projetou. Todos sabem, quanto maior a altura, maior o tombo, e nesses casos não haverá ninguém pra te segurar lá embaixo.


Não foi isso que você aprendeu com a vida, não é?! Você que de diz sempre tão madura, vivida, sem medo de errar, às vezes age como uma menininha. Arrisque-se! Mas arriscar-se não é se permitir sofrer, é muito mais que isso, é permitir acabar com a raça de qualquer um que venha impedir a sua felicidade.

domingo, 9 de outubro de 2011

Qualquer.

Eu gostava de quando você era único, de como era especial e de como fazia eu me sentir especial também. De quando você era diferente, era sem querer o que eu sempre quis, era tudo isso, era você.
Era o que eu achava certo, era intenso, verdadeiro, era melhor do que qualquer sonho, pois era real. Ainda que uma realidade distante, uma realidade futura, era plano e era pacto, era fruto do acaso, do mais belo dos acasos.
Eu amava olhar a lua, e saber que de algum lugar, do lugar mais bonito, você também a olhava, me ligava no meio da noite pra dizer "abra a janela, a lua está linda!". A lua nunca mais foi tão bonita.
Eu não gosto desse ser igual a todos os outros que você se tornou, você nunca foi normal, comum. Você era a espera que mais me valia a pena, a distância que mais me preenchia, a dor mais prazerosa, e agora é somente espera, distância e dor.
Você tinha tudo pra ser o cara mais especial do mundo. Pra mim. Mas optou por ser apenas mais um no mundo. Pra qualquer um. E até que meu ceticismo passe, eu quero passar o resto dos meus dias nesta cama. Pelo menos neste final de semana.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre castelos e abortos

Não podemos dizer que me iludi sozinha, pois se há um iludido, é porque houve ilusão, e ilusão assim não se cria sozinha. Cria-se junto. Dia após dia, passo a passo. Grão a grão fomos construindo nosso castelo de areia, levantando muros e construindo sonhos, cultivando esperanças e expectativas, mas simplesmente, do nada, você abandonou a pá e o balde e me deixou sozinha, levantando muros mais altos e mais fortes, construindo sonhos mais densos e cada vez mais reais, e quando  olhei pro lado, você estava longe, construindo outro castelo, outros sonhos e outros muros. Me vi sozinha. Você nem sequer deu uma chance pro nosso castelo, pra nossa relação.  Ela nem teve tempo de se desenvolver, crescer, florescer. Não teve tempo e não teve escolha, foi interrompida, abortada, como um feto no útero que não quer nada além de uma chance. Ele não escolheu estar lá, se surgiu foi porque lhe deixaram entrar, usaram de um amor que no fundo não havia, criaram um ambiente propício pra possibilitar sua entrada e estadia, e no fundo, nada ali existia. O castelo desmoronou, os sonhos desperdiçados, tive que largar minha pá e meu balde sem sequer ter escolha. Me sinto abortada.

domingo, 3 de julho de 2011

O Pior

O pior foi quando eu descobri que eu mesma me enganei, e com o meu próprio consentimento! Fingi estar completa, quando na verdade eu sabia que faltava alguma coisa. Fingi estar amando, quando no fundo eu só gostava. Fingi não me importar com todas as caras feias que tive que aturar por sua causa, quando na verdade eu estava morrendo por dentro! Não, eu não estava bem, meu lugar não era ao seu lado, nunca foi, meu lugar era ao lado deles, e nós dois sabíamos disso.

Eu disse que o pior foi isso? Continuei me enganando... Pior mesmo foi quando depois que me conformei que “pra ganhar alguma coisa é preciso perder tantas outras”, depois que me acostumei com a idéia de que “as coisas poderiam dar certo assim mesmo”, vem você e mais uma vez acaba com tudo!

O pior é que eu acreditei no seu papinho patético de “Ah... você é tudo o que eu estava procurando!”. Como fui idiota pra não perceber que da mesma forma que você disse isso às outras, poderia dizer pra mim, como não percebi que da mesma forma que você falava das outras, poderia estar falando de mim, e o pior, a mesma coisa que fez às outras iria fazer a mim! E fez!

Pior é saber que essa palhaçada inteira, toda essa mentira e toda essa sujeira poderiam colocar em risco a única coisa verdadeira de toda essa confusão... Mas ainda bem que o ditado é certo ao dizer que “quem é de verdade, sabe quem é de mentira”!

Meio a tantos “piores” o melhor de tudo é saber que o mundo nunca para de girar, as coisas se acertam, se alinham, as máscaras caem, a gente levanta e pode ver de pé que onde aqui se faz aqui se paga!

domingo, 26 de junho de 2011

Ah... O Primeiro amor...

Um dia desses mexendo num baú velho que tem aqui no meu peito, encontrei uma relíquia... Deus do céu, durante alguns anos ele era exatamente tudo o que eu queria ter! 
Eu dormia pensando nele, acordava pensando nele, ia pro colégio e só tinha olhos pra ele, foi amor à primeira vista, primeiro amor, diga-se de passagem.

O primeiro amor, depois que passa, é uma delícia, dá aquela saudadezinha da infância, tempo gostoso de quando a gente chegava em casa, tirava o uniforme da escola, almoçava a comidinha gostosa da mamãe e tinha a vida inteira pra fazer o que quisesse! O maior problema era decidir se íamos tirar uma soneca, brincar com os amigos na rua ou se íamos assistir sessão da tarde!
Mas daí, parando pra pensar bem, a saudade não era do primeiro amor, e sim, da fase da vida em que ele ocorre. O primeiro amor em si é uma merda!

Primeiro porque eu achei que ia morrer! Juro! A dor no peito era tão grande que eu achei que eu estava doente! Eu nunca havia sentido aquilo, oras! Eu via o menino e ficava rosada, com as pernas bambas e com o coração disparado. Eu passei a odiar todas as meninas que se atrevessem a chegar perto dele. Perdi muitas noites de sono, passei a acordar mais cedo pra me arrumar pra ir pra escola, eu tinha 10 anos e passava rímel às 7 da manhã... É.. eu estava amando, e pra mim isso significava que eu já era mulher... Uma mulher que se sentia atraída por um rapazinho de 10 anos, com pouco mais de 1 metro e meio e de cabelo tigelinha.... Mas enfim, na época isso era totalmente coerente.